quinta-feira, 1 de abril de 2021

COVID-19: RADIALISTA NANUQUENSE MÁRIO LÚCIO MORRE AOS 61 ANOS

Ele ficou internado 11 dias na UTI em Teixeira de Freitas, mas não resistiu

 



O radialista Mário Lúcio faleceu na tarde desta quarta-feira (31), aos 61 anos, depois de 11 dias internado em um dos leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Campanha de Teixeira de Freitas, vítima de complicações decorrentes da Covid-19.

 

No dia em que foi internado, seus exames clínicos mostravam a evolução da doença nos pulmões, com 80% de comprometimento da respiração. Foram vários dias de luta, oscilando com melhoras, até piorar e não conseguir mais ter forças para continuar vivo.

 

Nanuquense de nascimento, Mário ficou muito conhecido à frente de um programa sertanejo na Rádio Caraípe FM, em Teixeira de Freitas. Também apresentou programas jornalísticos. A partir do ano 2001, decidiu ir morar em Alcobaça, onde foi secretário de Obras nos dois mandatos do ex-prefeito Léo Brito. Nas eleições de 2020 foi candidato a vereador, mas não se elegeu.

 

Ele dedicou seus últimos dias de vida levando alegria aos ouvintes da Rádio Web Ativa de Alcobaça (com transmissões pela internet). Sua última participação foi no programa Paredão Sertanejo 2, de terça-feira (16), às 18h.

 

OUTRO MÁRIO LÚCIO RADIALISTA, TAMBÉM NANUQUENSE, FALECEU EM 29 DE DEZEMBRO DE 2016

 

Começou sua carreira como repórter e apresentador da TV 3 Fronteiras, em Nanuque


Quatro anos atrás, em dezembro de 2016, Nanuque ficou triste com a notícia da morte de Mario Lúcio Andrade, aos 51 anos, vítima de infarto, em Teixeira de Freitas. Foi radialista e trabalhou em Nanuque entre 1996 e 2002 na TV 3 Fronteiras, como repórter e apresentador dos telejornais.

 

Passou a residir naquela cidade baiana em 2003, onde trabalhou em emissoras de rádio, TV e criou um site de notícias regionais.

segunda-feira, 29 de março de 2021

ACADEMIAS DE GINÁSTICA TAMBÉM DEVERÃO SER CONSIDERADAS ATIVIDADE ESSENCIAL

Projeto de lei será votado pela Câmara de Nanuque 




Além das igrejas e templos de qualquer denominação religiosa, também as academias de ginástica deverão compor o grupo de atividades consideradas essenciais em Nanuque. Projeto de lei relativo ao assunto está em fase de conclusão redacional, conforme determinação do presidente da Câmara, José Osvaldo Lima dos Santos.

 

O documento, que provavelmente terá assinatura dos 13 vereadores, deverá instituir o reconhecimento de academias de ginástica, estúdios de musculação e de esportes, artes marciais e congêneres, voltados à atividade física, como atividades essenciais em períodos de pandemia e calamidade pública.

 

Está previsto que, em períodos de pandemia e calamidade pública, será obrigatória a limitação do número de pessoas, além de adotadas medidas de contenção sanitárias, objetivando impedir a propagação de doenças, de acordo com a gravidade da situação, desde que por decisão devidamente fundamentada em normas sanitárias e de segurança pública.

 

Segundo José Osvaldo, não se discute o benefício da atividade física e ginástica para a saúde das pessoas, aumento da imunidade e resistência contra doenças. “É uma comprovação, uma certeza, unanimidade entre médicos, cientistas, educadores físicos e especialistas no assunto”, disse ele.

 

O projeto deverá ser votado no início de abril, admitindo-se até a possibilidade de convocação de sessão extraordinária, assim como na votação do projeto que reconhece as igrejas como atividade essencial.

 

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VEREADORES DE NANUQUE VÃO VOTAR PROJETO QUE RECONHECE IGREJAS E TEMPLOS COMO ATIVIDADE ESSENCIAL

Por iniciativa do presidente José Osvaldo e autoria conjunta dos 13 parlamentares, projeto deve ser submetido à votação no início de abril

 

O projeto deverá ter assinatura de todos os vereadores


Assim que a Câmara de Nanuque retomar as sessões ordinárias, ou até mesmo antes, em reunião extraordinária, deverá ser colocado em discussão e votação o projeto de lei que reconhece as igrejas e os templos de qualquer denominação religiosa como atividade essencial em períodos de pandemia e de calamidade pública no âmbito do município de Nanuque.

 

O documento admite que poderá ser definida a limitação do número de pessoas presentes nos referidos locais, em celebrações, missas, cultos etc., de acordo com a gravidade da situação, desde que por decisão devidamente fundamentada da autoridade competente, sendo mantido o atendimento presencial.

 

O presidente José Osvaldo já determinou a elaboração do texto do projeto à sua assessoria, reconhecendo, inclusive, um dispositivo constitucional que descreve como “inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias.”

 

Durante o período de pandemia que o mundo todo vem enfrentando, muitos acabaram se isolando, e o quadro de depressão se alastrou. São muitas as pessoas que se encontram deprimidas em suas casas, ainda mais com um turbilhão de notícias negativas a respeito da Covid-19. A população está com medo e, consequentemente, apresentando crises de ansiedade, e acabam buscando auxílio e alento através do trabalho espiritual que é feito pela igreja.

 

 

domingo, 28 de março de 2021

TRIBUNAL DE CONTAS FEZ NOVO ALERTA A MUNICÍPIOS QUANTO AO LIMITE DE GASTOS COM PESSOAL

Gilson assumiu Município com folha de pagamento inchada

 

Em junho do ano passado, Nanuque estava no grupo com mais de 95% do limite de gastos com pessoal

 

Prédio do TCEMG em BH


O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), no exercício do acompanhamento da gestão fiscal dos municípios, fez novos alertas administrativos a chefes do Poder Executivo que estão atingindo, ou já atingiram, o limite de gastos com pessoal.

 



Por meio de publicação no Diário Oficial de Contas (DOC) do dia 18, e em conformidade com o disposto no art. 59 da Lei de Responsabilidade Fiscal e na Instruçao Normativa n. 3/2017 do Tribunal, vários prefeitos foram alertados de que na data-base 30/06/2020 se encontravam entre 90,01% e 95% do limite de gastos com pessoal.

 

Nanuque, por exemplo, estava em situação bem mais grave, pois em junho a Prefeitura estava na faixa entre 95,01% e 100% do limite prudencial de gastos com pessoal. Dessa forma, entrava nas vedações descritas na Lei Complementar 101, de 4 de maio de 2000.

 

“Herdamos a Prefeitura inchada, com muitas despesas fora da nossa realidade. Essa situação deixava o Município impossibilitado de firmar convênios, estabelecer contratos e outras dificuldades”, afirmou o prefeito Gilson Coleta.

 

Conforme o alerta do Tribunal, naquela situação de Nanuque, de junho do ano passado, era vedada a realização de operação de crédito entre um ente da Federação, diretamente ou por intermédio de fundo, autarquia, fundação ou empresa estatal dependente, e outro, inclusive suas entidades da administração indireta, ainda que sob a forma de novação, refinanciamento ou postergação de dívida contraída anteriormente.

quarta-feira, 24 de março de 2021

NANUQUE É UMA DAS 23 MICRORREGIÕES DE SAÚDE ONDE NÃO HÁ MAIS LEITOS DE UTI-COVID

Boletim desta terça (23) mostra 2.836 casos com 88 mortes

 



No boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde às 17h de ontem (terça, 23), Nanuque aparece com 2.836 casos confirmados de Covid-19, registrando-se 88 óbitos.

 

A região central da cidade continua com o maior número de casos: 910. Vila Nova, com 314 casos, e Vila Esperança, com 256, permanecem como os bairros de maior incidência.

 

Nos dados da vacinação anticovid, 1.277 pessoas acima de 75 anos receberam a primeira dose do imunizante; 131 já receberam a segunda dose.




OCUPAÇÃO DE UTI-COVID

 

Das 74 microrregiões de saúde de Minas Gerais com estrutura de terapia intensiva, 60% delas estão a taxa de ocupação de leitos de UTI Covid em 90% ou mais, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).

 

São 44 cidades polo em estado crítico e, em 23 delas, não há mais vagas de terapia intensiva para pacientes infectados pelo coronavírus. A ocupação é de 100%. É neste grupo de cidades que aparece Nanuque, ao lado de municípios como Guanhães, João Monlevade, Sete Lagoas, Ponte Nova, Janaúba, Januária, Formiga, Itaúna, Varginha, Itajubá e Ipatinga.

 

Veja quais são as microrregiões com 100% de ocupação nas UTI Covid:

 

1.    Além Paraíba

2.    Araxá

3.    Barbacena

4.    Conselheiro Lafaiete

5.    Formiga

6.    Guanhães

7.    Ipatinga

8.    Itajubá

9.    Itaúna

10. Janaúba

11. Januária

12. João Monlevade

13. João Pinheiro

14. Lagoa da Prata

15. Manhuaçu

16. Nanuque

17. Oliveira

18. Pirapora

19. Ponte Nova

20. São Francisco

21. Sete Lagoas

22. Unaí

23. Varginha.


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domingo, 21 de março de 2021

LOZIM QUER ESTIMULAR TURISMO ECOLÓGICO EM NANUQUE

Percorrendo o Rio Mucuri, vereador grava vídeos informando sua intenção

 



Assessoria já foi acionada para manter contato com a Secretaria estadual e Ministério do Turismo

 

Em vídeos divulgados nas redes sociais neste domingo, o vereador Lot Ignácio de Souza Jr. (Lozim – Solidariedade) aparece percorrendo o Rio Mucuri, na altura do bairro Nossa Senhora de Fátima (Reta). O assunto abordado é a necessidade de ações de estímulo ao turismo ecológico, também chamado ecoturismo.

 

Lozim já acionou a sua assessoria para o envio de documentos, no decorrer desta semana, ao gabinete do ministro do Turismo, Gilson Machado Neto; ao secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira; e também à subsecretária de Estado de Turismo, Milena Pedrosa.

 

Dentro da área de Turismo, Lozim vai buscar apoio do ministro, do secretário estadual e da subsecretária


Sua intenção é mobilizar os deputados do seu partido – Solidariedade – Wendel Mesquita (estadual) e Zé Silva (federal) para uma possível audiência de trabalho com as duas esferas de Turismo. Antes disso, vai colher sugestões e propostas para o esboço de futuros projetos para Nanuque.

 

Os deputados Wendel Mesquita (estadual) e Zé Silva (federal) terão papel importante nas futuras ações


“É uma atividade que pode e deve ser estimulada em Nanuque, já que o ecoturismo está ligado aos ambientes naturais e pode ser desenvolvido de forma sustentável, gerando emprego e renda”, disse Lozim.

 

Veja os vídeos 👇





 

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sexta-feira, 19 de março de 2021

FRAGMENTOS DA HISTÓRIA DO MUCURI (parte 4)

 


Naknenuk, 

a origem dos nanuquenses

 

Família de botocudos (Wikipedia)



   Trouxe-me espanto ao ler um site de turismo que fazia um breve histórico sobre o Vale do Mucuri, descrevendo os povos originários da região como grupos violentos, “ferozes” e que praticavam o “canibalismo”. Impressiona como as informações construídas nos anos de mil e oitocentos, quando no Brasil colonial o governo português decretou guerra aos pejorativamente chamados botocudos, ainda são replicadas em pleno século XXI.


   Os grupos indígenas que viveram no nordeste de Minas Gerais no século XIX eram diversos e com vivências extremamente complexas. Um aspecto dificultador para identificar as características dos indígenas foi a visão distorcida e simplista dos colonos que ocupavam a região do Mucuri. 


   De modo geral, animalizava-os, considerando como povos bárbaros, traiçoeiros, vingativos e que adotavam práticas canibalescas. Uma parte em função dos permanentes conflitos entre os próprios grupos botocudos, outra parte pela tendência colonizadora a perceber o outro com características violentas. Acabaram por estimular no imaginário da época a visão dos nativos do Mucuri como canibais. A imagem embrutecedora do chamado botocudo tinha também o objetivo de impor os valores civilizatórios, reforço do ideal de desenvolvimento e progresso do século XIX.


   Havia para os colonizadores a divisão, simplista e dicotômica, entre índios mansos (Naknenuk) e ferozes/canibais (Giporok). Naknenuk significa o “não da terra”, provavelmente pela presença recente no Mucuri de novos indígenas, consequência dos deslocamento desse grupo vindos fugidos da ocupação estabelecida na região do Rio Doce. Já Giporok tem o significado de perverso, hostil à presença de outros povos. Se os Naknenuk adotaram a política de rendição, os Giporok resistiram, ainda que desiguais, à dominação.


  Na realidade, o mito de práticas antropofágicas responsabilizadas aos botocudos era consequência da própria brutalidade colonizadora em função das práticas dominadoras e do terror em decorrência dessa violência, pois a antropofagia não pertencia aos rituais dos nativos do Mucuri.


   Corroborou muito com a imagem do nativo a belicosidade presente em sua cosmologia e organização social. Havia como pertencente ao universo social botocudo a força do simbólico em detrimento da materialidade e praticidade dos valores ocidentais oitocentistas. 


   São marcantes no universo sociocosmológico botocudo a liderança política e a força sobrenatural. O líder botocudo é uma pessoa carregada dessas forças sobrenaturais, o que dava a ele a capacidade de prever doenças transmitidas de forma transcendental pelos inimigos, podendo causar, em caso extremo, a morte se atingido pela “flecha mágica rival”. Um grupo sentia-se protegido se tivesse a liderança de um xamã forte com capacidade de blindar o grupo de flechas invisíveis e mortais.


   Entendendo ser a morte resultado de um assassinato orientado espiritualmente por feitiços, a reação contra inimigo eram ataques reais. Com o objetivo de eliminar aqueles que foram, de forma sobrenatural, responsáveis pela morte dos membros de sua aldeia, os ataques eram disparados contra a tribo rival, que tinham também poderes xamânicos. 


   Para os botocudos, as forças sobrenaturais ganhavam maior vigor se os indígenas estivessem em locais considerados por eles encantados. Daí a importância da terra não apenas como local de preservação da vida, mas também como espaço sagrado.


   A ocupação intensa de colonos no século XIX no Vale do Mucuri fez diminuir os espaços de sobrevivência dos povos originários da região em favor da lavoura. Desse modo, esses confrontos internos ficaram ainda mais acirrados à medida que as matas eram ocupadas pela agricultura. Esta, sim, foi a principal responsável pela violência e extermínio indígena. Mas o desaparecimento dos povos chamados Botocudos merece uma narrativa à parte.


👉TOQUE AQUI PARA LER A PARTE 3


Márcio Achtschin Santos, PhD em História pela UFMG e professor da UFVJM.