sexta-feira, 29 de junho de 2018

FALTA D'ÁGUA EM NANUQUE E EM SERRA DOS AIMORÉS: AÇÃO CONTRA A COPASA PEDE INDENIZAÇÃO DE R$ 500 MIL POR DANOS MORAIS COLETIVOS

Promotoria também pediu fixação de R$ 1 mil para cada pessoa, por dia de falta d'água, como parâmetro para indenizações individuais


O Ministério Público de Minas Gerais, por meio da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor em Nanuque, propôs Ação Civil Pública contra a Copasa devido à falta d'água ocorrida no município e em Serra dos Aimorés entre os dias 5 e 12 de junho de 2017. Na ação, o MPMG pede  indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 500 mil. A Promotoria de Justiça também pede que seja fixado o valor de R$ 1 mil para cada pessoa, por dia de falta dágua, como parâmetro para as indenizações individuais.

Em março de 2018, foi instaurado Inquérito Civil para apurar o descumprimento das normas legais na prestação do serviço de fornecimento de água pela Copasa para as cidades de Nanuque e Serra dos Aimorés.  

Conforme apurado, em 5 de junho de 2017, o abastecimento e o fornecimento de água foram interrompidos em razão do rompimento da tubulação da bomba de captação d'água e da falta de equipamento reserva instalado. O serviço só foi regularizado em 12 de junho. 

SERVIÇOS ESSENCIAIS FORAM PREJUDICADOS

Thomás Henriques Zanella Fortes, promotor

Segundo o MPMG, em virtude da interrupção, a realização de serviços essenciais e a atuação de diversos órgãos e instituições foram prejudicadas. Em 8 de junho, houve a suspensão dos serviços no prédio administrativo da prefeitura, creches e escolas municipais e estaduais. 

Os atendimentos no Hospital Pronto Socorro Municipal foram realizados de forma precária. Em um lar de idosos não havia água sequer para beber. As Unidades Básicas de Saúde de Serra dos Aimorés ficaram três dias com funcionamento de horário de meio período e um dia, de paralisação total. No Presídio Regional de Nanuque, o consumo da água fornecida em caráter emergencial pela Copasa durou  cerca de duas horas. O prédio do fórum da comarca de Nanuque também ficou sem água. 

A Copasa alegou que, em 5 de junho, a tubulação da bomba de captação dágua se rompeu, inviabilizando a sucção da água do Rio Mucuri, e a bomba rompida era a única que realizava a captação. Afirmou que foi necessário buscar equipamentos em outras localidades para montagem da captação emergencial e, durante o período de suspensão do fornecimento de água, foram disponibilizados caminhões-pipa para tentar garantir o abastecimento dos órgãos públicos. A empresa informou que os equipamentos novos definitivos já haviam sido comprados, fazendo-se necessário acelerar a sua entrega, em razão da quebra do antigo. 

A empresa disse também que é padrão haver dois equipamentos de captação em todas as suas unidades, mas, na cidade de Nanuque, existia somente um, porque, em novembro de 2016, o equipamento reserva de captação de água apresentou problemas técnicos e os reparos necessários foram orçados em aproximadamente R$ 57 mil. A Copasa optou por não consertá-lo, porque à época já existia procedimento licitatório em andamento para substituição. O preço do conserto era superior em 50% do valor de mercado do equipamento reserva danificado e o prazo para a manutenção seria de seis meses.

“Contudo, a alegação de impossibilidade técnica ou geográfica não é capaz de fundamentar a irregularidade do serviço e eximir a empresa de fornecer o bem de forma contínua e eficiente, sobretudo quando tal impossibilidade resulta de conduta da própria empresa, uma vez que a previsibilidade e a possibilidade de ocorrência de falha na prestação do serviço de fornecimento de água e de consequentes danos aos seus destinatários tornam-se ainda mais patentes e inequívocas na ausência do aparato técnico destinado à própria garantia e preservação do aprovisionamento de água”, afirma, na ação, o promotor de Justiça Thomás Henriques Zanella Fortes. (Fonte: Ministério Público de Minas Gerais - Superintendência de Comunicação Integrada)

terça-feira, 19 de junho de 2018

SENADO PODE VOTAR VENDA DIRETA DE ETANOL DO PRODUTOR AOS POSTOS DE COMBUSTÍVEIS



Poderá ser votado em Plenário, ainda esta semana, projeto que permite a venda de etanol diretamente do produtor aos postos de combustíveis. O texto teve o pedido de urgência aprovado na terça-feira (12) e seu objetivo é aumentar a concorrência no mercado de combustíveis e, consequentemente, baixar o preço para o consumidor. Se aprovado, o PDS 61/2018 ainda terá que passar pela Câmara dos Deputados.

O projeto do senador Otto Alencar (PSD-BA) susta um artigo da resolução da Agência Nacional de Petróleo (ANP) sobre o fornecimento e a venda de etanol combustível que determina que o fornecedor só pode vender o etanol a outro fornecedor cadastrado na ANP, a um distribuidor autorizado pela agência ou ao mercado externo.

"Hoje, as usinas produtoras de etanol para atendimento do mercado interno têm sua comercialização restrita a outros fornecedores cadastrados na ANP ou a um grupo restrito de distribuidoras autorizadas pela agência, que praticamente monopolizam o fornecimento do etanol para os postos de combustíveis", explicou o senador.

Para ele, a limitação da negociação impede o livre comércio e produz ineficiência econômica. A crise institucional causada pelas paralisações de caminhoneiros contra a alta no preço dos combustíveis, de acordo com Otto Alencar, fez surgir a necessidade de mudanças na política de comercialização do setor.

"O pleito dos produtores não tem como objetivo a tomada do mercado das distribuidoras e sim a oportunidade de também comercializarem o etanol, sem os atravessadores", afirmou o senador na justificativa do projeto.

Prerrogativa

Pela Constitução, cabe ao Congresso Nacional sustar atos normativos do Poder Executivo (como é o caso da resolução da ANP) que exorbitem do poder de regulamentar ou dos limites da delegação legislativa.

Com base nessa norma, o Senado já aprovou, por exemplo, projeto para sustar a decisão da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) que autorizou  as empresas aéreas a cobrarem pelo despacho de bagagens. O texto foi aprovado em 2016 pelo Senado, mas ainda não foi votado pela Câmara dos Deputados. (Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

segunda-feira, 11 de junho de 2018

DEPUTADO CONDENADO SEMPRE APARECEU ENTRE OS MAIS VOTADOS EM NANUQUE POR 5 ELEIÇÕES


Cabo Júlio chegou ao 6º lugar no Município em 1998. Vai cumprir pena de prisão em sala especial

 (Foto: Ricardo Barbosa -
Assemb. Legislativa de MG

Por cinco eleições consecutivas, o deputado Cabo Júlio (MDB) apareceu entre os mais votados em Nanuque. Na primeira candidatura, em 1998, a deputado federal, recebeu nada menos que 654 votos, ficando em 6º lugar. Na disputa seguinte, em 2002, chegou ao 8º lugar, com 571 votos, mesmo desempenho mantido em 2006 (546 votos), mas caindo para 11º lugar.

Em 2010, já como candidato a deputado estadual, também garantiu a 11ª posição, com 501 votos. Porém, em 2014, sua votação caiu pela metade - 286 (18º lugar).

Júlio César Gomes dos Santos nasceu em Belo Horizonte, dia 19 de maio de 1970. Completou, portanto, 48 anos. Quando foi candidato pela primeira vez, tinha apenas 28 anos.

O deputado estadual Cabo Júlio (MDB) apresentou-se voluntariamente na Corregedoria da Polícia Civil, na tarde de quinta-feira passada (7), onde permaneceu até às 23h. Em seguida, foi encaminhado para dar início ao cumprimento da prisão provisória no 3º Batalhão do Corpo de Bombeiros, na região da Pampulha, onde permanecerá até a análise dos pedidos de habeas corpus encaminhados à Justiça Federal por sua defesa.

De acordo com a assessoria do deputado, Cabo Júlio está sereno e acredita que a Justiça deferirá o pedido de liberdade e na reforma da decisão.

O advogado do deputado Cabo Júlio, Frederico Savassi, informou que entrou com o pedido de recurso contra a condenação e que impetrou duas petições de habeas corpos, já que o deputado está condenado em dois processos diferentes.

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) determinou o cumprimento das penas às quais o deputado estadual Cabo Julio foi condenado. Por possuir foro privilegiado, já que à época do cometimento dos delitos Cabo Julio ocupava o cargo de deputado federal, ele foi julgado e condenado originariamente pelo TRF1.

O deputado Cabo Júlio foi condenado por participação na chamada “Máfia dos Sanguessugas”, esquema criminoso de desvio de recursos do orçamento da União, repassados a prefeituras, por meio de emendas parlamentares, para a compra de unidades móveis de saúde. O esquema foi desmontado pela Polícia Federal, em 2006, durante a Operação Sanguessuga. O deputado estadual Cabo Júlio (MDB) cumprirá a pena de prisão em uma sala especial do Corpo de Bombeiros, segundo a ordem expedida pelo juiz da Vara de Execuções Penais de Belo Horizonte, Luiz Carlos Rezende. Ainda não há um posicionamento da Assembleia Legislativa sobre a possibilidade de ele continuar exercendo o mandato parlamentar, já que o regime da condenação é o semiaberto e, portanto, ele teria a possibilidade de deixar a instituição prisional durante o dia.


quarta-feira, 30 de maio de 2018

VEREADOR CAMPEÃO DE VOTOS DIZ QUE VAI CONCORRER A PRESIDENTE DA CÂMARA


Sidnei do Frisa acredita no respaldo do partido e tem certeza do apoio de colegas e amigos


Vereador mais votado nas eleições de 2016, com 738 votos, Sidnei Pereira Silva, o Sidnei do Frisa (PPS), confirmou na manhã desta quarta-feira (30) que está decidido a concorrer à presidência da mesa diretora da Câmara de Nanuque para o biênio 2019-2020.

Como nanuquense, aos 52 anos, Sidnei disse que foi incentivado a disputar o cargo de presidente antes mesmo de assumir o mandato, mas preferiu agir com discrição. “Para quem assume o cargo de vereador pela primeira vez, não acho muito responsável querer disputar uma presidência. É preciso conhecer o funcionamento da Câmara, o perfil dos colegas, o contexto político etc. Mas hoje, com um ano e meio de mandato, já me sinto preparado para o comando”, admitiu.

Sidnei disse que nessa nova jornada ele espera contar com o apoio do seu partido, o PPS, legenda a qual tem sido fiel, colaborativo e participativo em sua ação parlamentar. Garantiu, porém, que tem o apoio e o incentivo de colegas e dos seus amigos.

MOTIVOS PARA A DECISÃO

O fortalecimento do Poder Legislativo é o principal motivo que Sidnei justifica na decisão de se candidatar. “A Câmara deve ser uma instituição forte, um poder realmente independente, com personalidade própria, em relação de harmonia e respeito com o Executivo e o Judiciário, mas sem baixar a cabeça, sem ser quintal de prefeitura”, explicou. “Digo isso com base na minha postura de vida e na forma como enxergo as relações políticas. Por isso, me sinto preparado, com saúde, equilíbrio e maturidade para aceitar o desafio”.

ATIVO EM DUAS COMISSÕES INTERNAS

Sidnei participa de maneira ativa de duas comissões internas da Câmara: como membro efetivo da Comissão de Finanças, Orçamento e Tomada de Contas, e suplente da Comissão de Redação, Justiça e Redação. São as comissões mais importantes do Legislativo.

terça-feira, 29 de maio de 2018

SETOR DE CARNE BOVINA DEIXOU DE MOVIMENTAR R$ 4,5 BILHÕES


Prejuízos afetam Nanuque

(foto jornal Hoje em Dia)
Nota divulgada ontem pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) estimou que, com a paralisação dos caminhoneiros, o setor de carne bovina deixou de movimentar, somente nestes últimos nove dias, cerca de R$ 4 bilhões e 500 milhões, tanto nas operações para o mercado interno como nas exportações. O presidente executivo da entidade, Péricles Salazar, disse que os países importadores já começam a questionar a capacidade do País de cumprir os contratos de exportação.

De acordo com a Abrafrigo, a previsão era de que o Brasil chegasse a um total de exportações próximo de US$ 7 bilhões em 2018, com crescimento de 10% sobre o ano passado. "Eles começam a se movimentar para cancelar ou considerar extintos estes contratos", informou Salazar.

Péricles Salazar

Além de afetar a economia dos estados e do país, por inteiro, o cenário de prejuízos pode atingir com impacto as cidades que mantêm unidades de abate e exportação de bovinos, caso de Nanuque, onde o Frigorífico Rio Doce (Frisa) é a maior empresa privada e maior gerador de empregos com carteira assinada.


PROTESTOS PARAM 107 FRIGORÍFICOS; SETOR DEIXA DE EXPORTAR 40 MIL T DE CARNE BOVINA

Praticamente todas as unidades produtoras de carne bovina do Brasil estão paradas em decorrência dos protestos de caminhoneiros, e 40 mil toneladas do produto deixaram de ser exportadas até agora, o equivalente a 170 milhões de dólares em receita que deixou de ser gerada, disse a associação da indústria nesta terça-feira.

Conforme a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), das 109 plantas de produção no país, 107 estão paradas, sendo que as outras duas operam com menos de 50 por cento da capacidade.


Além disso, 3.750 caminhões carregados estão parados nas rodovias do Brasil, a maioria com mais de sete dias na estrada, com cargas perecíveis que incluem carne com osso. Esses produtos devem começar a perder a validade a partir de amanhã (quarta-feira), inviabilizando consumo, perdendo embarques e licenças de exportação, frisou a Abiec.

"Os dados ainda são preliminares e muitos prejuízos ainda não foram contabilizados, mas é certo que somente a cadeia produtiva da pecuária de corte já deixou de movimentar valores da ordem de 8 bilhões a 10 bilhões de reais", acrescentou a associação. (Fontes: jornais Extra, do Rio de Janeiro, e Hoje em Dia, de Belo Horizonte)



terça-feira, 15 de maio de 2018

PRAÇA DOS ESTUDANTES E PLAYGROUND DA LAGOA DOS NAMORADOS PUXAM NOVA VISITA DE GUSTAVO VALADARES A NANUQUE

Vereador Aranha e amigos receberam o deputado no aeroporto e depois percorreram a cidade

No aeroporto

A agenda política do deputado estadual Gustavo Valadares (PSDB) na tarde de sexta-feira passada (11) foi cumprida em Nanuque, a convite do vereador Antonio Carlos Aranha Ruas. Antes do meio-dia, o avião pousou no Aeroporto Jorge Schieber.

A visita foi motivada por dois assuntos pontuais: a revitalização da Praça Professor Oto, a conhecida Praça dos Estudantes, que recentemente esteve perto de ser destruída, conforme projeto aprovado na Câmara. Felizmente, o prefeito, autor do projeto, cedeu às pressões da sociedade e desistiu da ideia, direcionando a futura delegacia de polícia, que ocuparia a praça central, para um terreno do bairro Novo Horizonte.

Na Praça dos Estudantes, Aranha
conversou com o deputado contando um pouco
da história de Nanuque 



Aranha e Alemão


O outro assunto foi a necessidade de implantação de playground na Lagoa dos Namorados. Principal cartão postal de Nanuque, inaugurada em 2001, inicialmente a Lagoa foi contemplada com um espaço destinado à diversão das crianças, mas, com o tempo, os brinquedos foram se deteriorando, sem que houvesse conserto ou recuperação por parte do poder público.

Aranha deixou claro ao deputado que, hoje, simplesmente, não há em Nanuque nenhum espaço para a diversão das crianças.

Lagoa dos Namorados: no local onde
existiu um playground

Deputado prometeu
acrescentar recursos ao projeto do
playground para reforma da pista de skate

Calçamento da Av. Alves de Brito - Aranha convidou o deputado a conhecer a Avenida Alves de Brito, no bairro Novo Horizonte, contemplada com R$ 100 mil para calçamento de trecho principal, conforme publicação, edição 2 de dezembro de 2017 no “Minas Gerais”, órgão oficial do governo mineiro, na página 51, de extrato do convênio firmado entre o Município e a Secretaria de Estado de Governo. Gustavo foi o autor da emenda.



Com Wagner Elias da Silva,
diácono na Igreja Evangélica Nova Vida

Ao lado de Aranha, durante a visita do deputado, estiveram os vereadores Gilmar "Alemão" Santos Pereira e Rufino Freitas Caires; Padre Paulo Sergio Gomes de Melo; Marcelo Moura, da Secretaria de Agricultura; a blogueira Rafaela Caires; educadora Naamá; Wagner Elias, da Igreja Nova Vida; empresários Lucas e Kiko Rios; o educador físico e gerente de loja Fabrício, Tales, entre outros.

POLO DE COSTURA

Um terceiro assunto tratado por Aranha foi a reativação do polo de costura de Nanuque, que até pouco tempo agregava o trabalho de dezenas de costureiras, em forma de cooperativa, na geração de emprego e renda.

O polo de costura era composto de várias máquinas industriais e demais acessórios. Foi viabilizado pelo governo estadual entre os anos de 2003 e 2006, com grande êxito, mas que depois foi aos poucos se perdendo por falta de gestão e de apoio dos governos locais que se sucederam no poder.


GUSTAVO VALADARES FOI O QUINTO MAIS VOTADO EM NANUQUE

Aranha, senador e pré-candidato a governador Anastasia e Gustavo
  (arquivo setembro/2014)

Reeleito em 2014 com 67.023 votos, distribuídos em 515 dos 853 municípios mineiros, Valadares foi o quinto mais votado em Nanuque entre os eleitos, com 564 votos.

Na época, sobre o resultado do pleito o vereador Aranha comentou: “Numa eleição concorrida como foi a de deputado, chegar ao 5º lugar em Nanuque é uma marca excepcional”.

De acordo com sua análise, na lista das 515 cidades onde Gustavo Valadares foi votado, Nanuque apareceu em 36º lugar, na frente de cidades bem maiores, como Teófilo Otoni, onde ele recebeu 471 votos (45ª posição), Ipatinga (429 votos – 47º lugar), Governador Valadares (51 votos – 88º lugar) e até mesmo Juiz de Fora (39 votos – 93º lugar).


segunda-feira, 14 de maio de 2018

NOVE VEREADORES DE BELO HORIZONTE PODEM PERDER MANDATO PORQUE TROCARAM DE PARTIDOS


Pelo menos nove dos 41 vereadores de Belo Horizonte podem perder as cadeiras na Câmara Municipal. O motivo são as trocas de legenda realizadas durante a janela partidária de um mês, que valia somente para deputados estaduais e federais, mas foi usada também por parlamentares do Legislativo da capital e do interior de Minas.

A Casa foi notificada pelo Ministério Público Eleitoral mineiro e terá de informar oficialmente os nomes de quem mudou a filiação no período. Para manter as vagas, os vereadores, que são pré-candidatos a cadeiras na Assembleia ou Câmara dos Deputados, precisam provar que tiveram ‘justa causa’ para as mudanças.

O período de 8 de março a 7 de abril era válido somente para os parlamentares em fim de mandato e o MP Estadual está de olho nas trocas irregulares. Os partidos e interessados – geralmente os suplentes das vagas – tiveram um mês para agir, requisitando os mandatos, que na eleição proporcional, são dos partidos ou coligações.

Como antecipou o Estado de Minas, estão na mira os vereadores Cláudio Duarte, que trocou o PMN pelo PSL, Élvis Côrtes, que foi do PSD para o PHS, Doorgal Andrada (PSD para PEN), Nely Aquino (PMN para PRTB) e Rafael Martins (MDB para PRTB). Além deles, constam mudanças nos registros das listagens dos eleitos constantes da Justiça eleitoral e do site da Câmara Municipal para os vereadores Wesley Autoescola, que foi do PHS para o PRB, e Catatau, do PSDC para o PHS. O outro vereador que pode ser afetado pela regra é o ex-presidente da Câmara Wellington Magalhães, que trocou o PTN pelo PSDC. Este, porém, está preso desde 18 de abril e enfrenta um processo por quebra de decoro parlamentar que também pode tirar dele o mandato.

Embora a alteração não conste do site, o vereador Álvaro Damião confirmou ontem ter trocado o PSB pelo DEM durante o período da janela. Segundo ele, a troca foi por divergências ideológicas com o partido pelo qual foi eleito. “Praticamente saíram comigo, ou eu saía ou me expulsavam”, disse. Segundo o vereador, a legenda não aceitava o fato de ele ser um dos líderes de Kalil (prefeito de BH), com quem o vice-prefeito de Lacerda à época, Délio Malheiros, disputou a eleição em 2016 e foi derrotado. Álvaro Damião é pré-candidato a deputado federal.

No fim do prazo para as mudanças dos parlamentares estaduais e federais, a Câmara de BH havia informado que cinco vereadores trocaram de legenda. Na sexta-feira, porém, o presidente da Casa, vereador Henrique Braga (PSDB) indicou que o número pode ser maior. “Tem vereador que já mudou e continua aqui no painel com nome do partido antigo. Gostaria que Vossas Excelências informassem para que a gente possa dar uma resposta correta ao Ministério Público Eleitoral”, pediu.

Braga disse ter notícia de que pelo menos oito vereadores teriam mudado de partido, mas, como nem todos comunicaram à Casa, ele não descarta que o número seja maior. “O MP Eleitoral pediu a informação porque a janela de troca de partidos foi somente para deputado estadual e federal, não foi para vereador. Temos que responder o mais rápido possível”, disse.

O procurador regional eleitoral Ângelo Giardini confirmou que a notificação feita à Câmara foi para avaliar a possibilidade de ingressar com representação contra os vereadores que mudaram injustificadamente de partido. Segundo ele, a lei não abriu janela para troca de partidos de vereadores, mas há duas exceções. São permitidas em qualquer tempo as trocas consideradas por “justa causa” ou motivadas por mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário ou grave discriminação política pessoal.

São exatamente essas as justificativas que os parlamentares ouvidos pelo EM logo após o fechamento da janela partidária deram para as trocas. Na ocasião, Cláudio Duarte, Élvis Côrtes, Nely Aquino, Rafael Martins e Doorgal Andrada alegaram motivos como mudanças nas diretrizes partidárias e discriminação.

Com a lista de mudanças, o MP Eleitoral vai analisar a possibilidade de pedir os mandatos de quem infringiu a lei. Também há várias denúncias de vereadores que mudaram de partido durante a janela partidária no interior.

Segundo a Lei 13.165/15, os detentores de mandato podem se desfiliar sem justa causa “durante o período de 30 dias que antecede o prazo exigido em lei para concorrer à eleição majoritária ou proporcional, ao término do mandato”.

O coordenador das promotorias eleitorais de Minas Gerais, promotor Edson Resende, explicou que a legislação é clara ao dizer que a janela vale somente para quem está em fim de mandato. “Neste ano a janela é somente para os deputados estaduais e federais, não vale para vereadores”, reforçou.

O que diz a lei

Art. 22-A da Lei 13.165/15

“Perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem justa causa, do partido pelo qual foi eleito.
Parágrafo único  – Consideram-se justa causa para a desfiliação partidária somente as seguintes hipóteses:
I – mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário;
II –- grave discriminação política pessoal; e 
III – mudança de partido efetuada durante o período de 30 dias que antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente”.

(Texto reproduzido do jornal Estado de Minas em 14/05/2018)