Murilo Soares Costa é pesquisador da UFMG
Uma matéria publicada no jornal Estado de Minas, edição
de 21/12, mostra o trabalho de Murilo Soares Costa, de 32 anos, nascido em
Nanuque, que é pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele desenvolveu
uma técnica que pode deixar os testes RT-PCR para a Covid-19 — considerados
“padrão-ouro” — até 90% mais baratos. Com ela, a testagem em massa, com o
melhor método disponível, pode ser facilitada não só no Brasil, como nos
diversos países com dificuldade de obter os insumos farmacêuticos.
A inovação consiste no uso da técnica de pool testing
para detecção do coronavírus. Até 32 amostras de swab de nasofaringe —
coletados com cotonetes — podem ser utilizadas para um mesmo reagente. Se o
resultado for negativo, todos os testados estão liberados. Caso ele dê
positivo, cada um dos participantes é testado individualmente.
A avaliação da técnica foi feita usando 1.358 amostras de pacientes suspeitos de COVID-19 da Upa Centro-Sul, de Belo Horizonte (foto: arquivo pessoal) |
Isso quer dizer que com os
mesmos insumos utilizados atualmente para uma única pessoa, até 32 podem ser
testadas. Murilo explica que não é necessária uma nova coleta para os testes
individuais de pools que positivarem para o vírus. “Após a coleta, nós armazenamos o swab em um meio de cultura viral,
possibilitando a repetição de quantos testes forem necessários”.
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ENFERMEIRO NANUQUENSE APROVADO EM DOUTORADO COM FOCO DIRECIONADO À PESQUISA SOBRE NOVO CORONAVÍRUS
Avaliação
A avaliação da técnica foi feita usando 1.358 amostras de
pacientes suspeitos de Covid-19 da Upa Centro-Sul, de Belo Horizonte. Elas
foram agrupadas em 504 pools, dos quais 333 foram detectáveis para o vírus, e
171 acusaram resultados não detectáveis.
O resultado final, que poupou o uso de 288 reagentes,
indicou que 915 dos pacientes não estavam contaminados, enquanto 443 testaram
positivo. Os exames foram feitos do CT-Vacinas, da UFMG.
Economia
Outro braço da pesquisa foi uma testagem dos alunos da Faculdade de Medicina da UFMG na volta das férias dos internatos. Com autocoleta das amostras pelos próprios estudantes, o método reduziu em 154 o número de reagentes necessários para os testes. O custo total, de R$ 591, teria sido da ordem de R$ 6.153 se não fosse aplicada a técnica de pool testing — uma economia de 90%.
Inovação
O nanuquense entende que o melhor momento pra aplicar
esse tipo de teste é agora. Com a prevalência mais baixa, os benefícios da
inovação são máximos. “Qualquer tipo de
sinal ou sintoma do coronavírus, até mesmo uma diarreia, poderiam ser testados.
Nós observamos que vai demorar para acabar essa pandemia. Teremos casos por um
bom tempo, então esse momento seria o melhor pra aplicar a técnica”,
comenta Murilo.
Não é necessário adquirir nenhum reagente ou máquinas
novos para realizar o pool testing. O pesquisador explica que só é necessário
conhecer a técnica e como aplicá-la para reduzir os custos da testagem. Um
treinamento ou uma cartilha, que poderiam ser oferecidos pela própria UFMG em
parceria com o SUS, na opinião do pesquisador, bastariam para difundir a
inovação.
Ela já é comum em países da América do Norte, Europa,
Ásia e Oceania. Mas os países que mais teriam a ganhar com ela, como os da
América do Sul, Central e da África — que tem maior dificuldade de obter
insumos — ainda não usam essa técnica. A avaliação do pool testing realizado
pelo pesquisador da UFMG foi a primeira nessas regiões.
“Nós temos esse
conhecimento para repassar. Agora falta essa articulação e interesse para
popularizar a técnica”, conta Murilo. A pesquisa foi desenvolvida como seu
projeto de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Infectologia e Medicina
Tropical, iniciado em 2020, sob orientação do professor doutor Unaí Tupinambá.
(Texto reproduzido do jornal Estado de Minas)
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