Segundo mais votado da cidade em 2022, com 1.267 votos, o deputado nunca destinou uma emenda ou ação concreta ao Município. A pergunta que fica para 2026: Nanuque vai repetir a aposta ou cobrar resultado?
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| Nikolas: mais de mil votos em Nanuque e nenhuma ação em favor da cidade |
Em 2022, Nikolas Ferreira (PL) foi o segundo nome mais votado para deputado federal em Nanuque, com 1.267 votos, o equivalente a 6,69% do eleitorado local. Um desempenho expressivo, atrás apenas de Eros Biondini (PL), o mais votado, com 6.735 votos (35,56%) - aliás, o candidato do prefeito Gilson Coleta, que novamente está nas ruas e casas pedindo voto para a reeleição de Eros.
Ao contrário de Eros, no caso do Nikolas, o problema é que, passados os anos de mandato, esse prestígio nas urnas não se converteu em nada palpável para o Município que o abraçou.
Até aqui — e com base nas informações disponíveis — não há registro de uma única emenda parlamentar destinada a Nanuque, tampouco de qualquer ação concreta em favor da cidade. Nem recursos para a saúde, nem para a infraestrutura, nem para o esporte, nem para a educação. O deputado que Nanuque ajudou a eleger com mais de mil votos parece não ter retribuído a confiança com aquilo que, no fim das contas, mais importa na política federal: trazer benefícios para quem votou.
Voto para deputado federal não deve ser um gesto de admiração à distância
Aqui reside o cerne da análise política. O voto para deputado federal não é um gesto de admiração à distância — é um investimento. O eleitor delega poder na expectativa de que, lá em Brasília, aquele nome se lembre da sua cidade na hora de dividir o orçamento, apresentar projetos e destinar emendas. Quando essa contrapartida não vem, o voto se esvazia de sentido prático e vira apenas aplauso a uma figura que brilha nas redes sociais, mas não aparece no dia a dia da cidade.
E é justamente esse o ponto sensível do caso de Nikolas Ferreira. Ele é, hoje, um dos parlamentares mais populares e com maior projeção nacional do país, dono de uma máquina de comunicação digital poderosíssima. Essa força, porém, se dirige a um público difuso, espalhado por centenas de cidade, e não a compromissos territoriais concretos.
Para o eleitor de Nanuque, resta a pergunta incômoda: de que adianta ter votado no segundo mais bem colocado da cidade se esse voto não voltou em forma de obra, serviço ou recurso?
A política de resultados exige memória. Cidades que crescem e conquistam recursos são aquelas cujos eleitores cobram prestação de contas e recompensam quem entrega — e penalizam quem apenas coleta votos e desaparece. Nanuque tem, em 2026, a chance de fazer essa avaliação com maturidade: olhar para o retrovisor e perguntar, sem paixão, o que cada nome votado em 2022 efetivamente fez pela cidade.
Repetir automaticamente a votação de 2022, sem essa análise, seria premiar a ausência. Seria dizer que o voto de Nanuque está disponível a qualquer nome de grande visibilidade, independentemente de retorno. Já condicionar o voto a resultados concretos — exigir emendas, presença e compromisso — seria dar um passo de amadurecimento político que a cidade precisa dar há tempos.
A resposta, portanto, não está nas mãos do deputado, mas nas do eleitor. Nikolas Ferreira voltará a receber os votos de Nanuque? Se o critério for popularidade e simpatia ideológica, é bem provável que sim. Mas se o critério for aquilo que deveria orientar todo voto para deputado federal — o que ele fez, de fato, pela minha cidade? —, então o eleitorado nanuquense tem material mais do que suficiente para repensar a sua escolha.
Que 2026 seja, para Nanuque, o ano em que o voto deixe de ser fé e passe a ser cobrança. Porque cidade que não cobra resultado continua sendo lembrada apenas na época da campanha — e esquecida em todo o resto do mandato.
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