segunda-feira, 5 de outubro de 2026

NANUQUE QUASE TROCA QUEM TRABALHA PELA CIDADE POR QUEM DOMINA A INTERNET

Eros Biondini, responsável por emendas de obras e serviços para o Município há cerca de 16 anos, teve 3.789 votos e ficou apenas 651 à frente de Nikolas Ferreira, que nunca apresentou uma emenda ou trouxe 1 real em ações concretas em favor da população




O resultado das eleições em Nanuque deixou um recado político que não pode ser ignorado. Eros Biondini (PL), deputado federal que há aproximadamente 16 anos mantém presença no Município e é apontado como responsável pela destinação de emendas, recursos e apoio a obras e serviços locais, permaneceu como o candidato mais votado para a Câmara dos Deputados, com 3.789 votos.


A vantagem, entretanto, foi muito menor do que em 2022. Naquela eleição, Eros recebeu quase 7 mil votos — foram 6.735, segundo os dados apresentados anteriormente — e consolidou uma liderança folgada no Município. Agora, sua votação caiu praticamente pela metade.


O dado mais emblemático é a aproximação de Nikolas Ferreira (PL). Impulsionado por uma forte presença nas redes sociais e por sua popularidade nacional, o deputado alcançou 3.138 votos em Nanuque, ficando apenas 651 votos atrás de Eros. A força do voto digital mostrou, mais uma vez, que a política tradicional já não disputa espaço apenas nas ruas, nos bairros e nas obras: disputa também os celulares, os vídeos curtos e os algoritmos.


Mas há uma contradição que merece ser discutida. Enquanto Eros Biondini é reconhecido por manter uma relação de longa duração com Nanuque, participar da viabilização de obras e serviços e destinar recursos ao Município, Nikolas Ferreira nunca destinou até o momento recursos ou uma ação concreta em favor da cidade.


Ainda assim, a diferença entre os dois candidatos foi pequena. O eleitorado nanuquense quase retirou de Eros a condição de principal representante da cidade na Câmara Federal, apesar do histórico de atuação e da presença política construída ao longo de mais de uma década.


Não se trata de defender voto automático em qualquer parlamentar que envie uma emenda. Recursos públicos devem ser transparentes, fiscalizados e aplicados corretamente. Mas também é razoável perguntar: o eleitor está levando em conta o trabalho efetivamente realizado em favor do município ou está escolhendo apenas o nome mais popular na internet?


A ingratidão como fenômeno político


A queda expressiva da votação de Eros pode ser interpretada como uma manifestação de ingratidão eleitoral. Afinal, se um deputado participa da conquista de recursos, acompanha obras e mantém presença no município durante anos, seria natural esperar que esse histórico tivesse peso decisivo na hora do voto.


O eleitor, evidentemente, é livre para escolher. Não existe voto devido, nem parlamentar proprietário de cadeira eleitoral. Porém, liberdade de escolha não elimina a responsabilidade de avaliar resultados. O voto pode ser ideológico, emocional ou influenciado pela popularidade digital, mas também pode — e deveria — considerar a entrega concreta para a cidade.


O caso de Nikolas é ilustrativo. Com uma máquina de comunicação eficiente e enorme alcance nacional, ele consegue transformar visibilidade em votos em municípios onde sua atuação local é limitada ou inexistente - caso de Nanuque. A internet aproxima o parlamentar do eleitor, mas essa proximidade virtual nem sempre se converte em presença física, emendas, obras ou serviços.


Em Nanuque, essa realidade ficou evidente. Nikolas, 2º lugar na preferência do eleitor, obteve uma votação expressiva sem, segundo os registros apresentados, ter destinado um real sequer para obras ou ações; Nikolas dobrou a votação. Eros, por outro lado, mesmo com um histórico de atuação local, viu sua votação cair drasticamente, pela metade.


O voto de internet contra o voto de resultado


A eleição revela o crescimento do chamado voto de internet: aquele que nasce da exposição nas redes sociais, da identificação ideológica e da popularidade de um candidato em escala nacional. É uma força legítima e cada vez mais decisiva, mas que pode afastar o eleitor da avaliação sobre o desempenho parlamentar em sua própria cidade.


Deputado federal não deve ser escolhido apenas porque aparece todos os dias nas redes. Seu mandato também precisa ser medido pela capacidade de representar o município, buscar recursos, defender projetos e manter diálogo com a população.


Nesse aspecto, Nanuque precisa fazer uma reflexão. Se o eleitorado recompensa da mesma forma quem trabalha pela cidade e quem apenas recebe votos sem apresentar resultados locais, transmite aos políticos uma mensagem perigosa: a de que basta ser famoso para conquistar apoio, mesmo sem compromisso concreto com o município.


Eros Biondini não perdeu a eleição em Nanuque, mas perdeu uma parte importante de sua antiga vantagem. A redução de quase 7 mil para 3.789 votos funciona como um alerta. Seu histórico de atuação não foi suficiente para impedir o avanço de um candidato sustentado unicamente pela força digital.


A pergunta que fica é simples: o eleitor de Nanuque está escolhendo representantes pelo que fazem pela cidade ou pelo que dizem na internet?


A resposta apareceu nas urnas. E, para o município, o resultado deveria servir menos como comemoração ou derrota pessoal e mais como oportunidade de amadurecimento político. O voto precisa ser livre, mas também consciente. Deve considerar ideias, valores e posicionamentos — sem esquecer obras, recursos, presença e compromisso.


Porque, no fim, a cidade não vive de curtidas. Vive de saúde, infraestrutura, educação, emprego e serviços. E quem ajuda a construir esses resultados merece ser lembrado quando chega a hora de votar. 


<>


Nenhum comentário:

Postar um comentário